Quando se fala em portos no Brasil, Santos e Itaguaí dominam o noticiário. Mas no litoral do Nordeste, um conjunto de obras e licitações segue em andamento com pouca cobertura fora da imprensa regional — e com efeitos concretos no escoamento de soja, frutas e produtos industrializados.
Suape e Pecém
No complexo portuário de Suape, em Pernambuco, a ampliação de um terminal dedicado a granéios deve aumentar a capacidade de armazenagem em cerca de 15% até o final de 2027, segundo cronograma divulgado pela administração em abril. Operadores locais relatam filas menores nos últimos meses, embora ainda haja gargalos no acesso rodoviário em horários de pico.
Em Pecém, no Ceará, o foco tem sido a integração com a zona econômica e a atração de indústrias que exportam para a Europa e para o norte da África. Um fabricante de fertilizantes anunciou em maio a expansão de uma unidade próxima ao cais, gerando cerca de 200 empregos diretos na construção.
Impacto nas cidades
Em municípios vizinhos, o debate não é só econômico. Moradores de áreas costeiras reclamam de aumento de tráfego de caminhões e de poeira em épocas secas. Prefeituras pedem participação em royalties e em programas de pavimentação de vias de acesso.
“A gente vê o porto crescer no relatório anual, mas a estrada continua a mesma”, resumiu um comerciante de Igarassu, cidade próxima a Suape, em conversa por telefone.
Perspectivas
Analistas consultados pelo HubBR avaliam que o Nordeste ganha relevância logística à medida que o Centro-Oeste busca rotas alternativas ao Sul. Não se trata de substituir Santos, mas de diversificar — e isso já aparece nas planilhas de exportadores médios.
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